Presença de folhas no enraizamento de estacas de Alternanthera brasiliana (L.) Kuntze

Palavras-chave: Estaquia, Propagação vegetativa, Penicilina, Planta medicinal

Resumo

O objetivo deste trabalho foi avaliar a relação entre a presença de folhas e o enraizamento de estacas de Alternanthera brasiliana. A. brasiliana é uma espécie herbácea nativa amplamente utilizada na medicina popular devido às suas propriedades analgésicas, cicatrizantes, anti-inflamatórias e antimicrobianas. A estaquia é uma técnica de reprodução vegetativa que oferece maior rapidez e eficiência na propagação de espécies vegetais. As estacas de A. brasiliana foram coletadas a partir de ramos herbáceos em março (outono) de 2019. As estacas foram preparadas com 15 cm de comprimento e divididas nos seguintes grupos experimentais: estacas sem folhas; e estacas com um e dois pares de folhas cortadas ao meio. Foram distribuídas 40 estacas, em quatro repetições, para cada grupo experimental. As estacas então foram plantadas em tubetes contendo uma mistura de substrato orgânico comercial e vermiculita (1:1), permanecendo em casa-de-sombra com irrigação semiautomatizada ao amanhecer e ao entardecer. As avaliações foram realizadas ao final de 47 dias, observando-se as seguintes variáveis: porcentagem de estacas enraizadas; com calos; estacas vivas e mortas; presença e número de brotos; e comprimento e número médio de raízes. Foi possível concluir que ambos os parâmetros (presença e número de folhas) não influenciam no enraizamento de estacas de A. Brasiliana, o que é explicado pela alta produção endógena de hormônios de enraizamento, como a auxina. Dessa forma, conforme a literatura publicada, foi demonstrado que A. brasiliana pode ser considerada uma espécie de fácil enraizamento.

Palavras-chave: Estaquia. Propagação vegetativa. Penicilina. Planta medicinal.

 

Presence of leaves on rooting of Alternanthera brasiliana (L.) Kuntze cuttings

Abstract

The aim of the present work was to evaluate the relationship between the presence of leaves and rooting of Alternanthera brasiliana cuttings. A. brasiliana is an herbaceous native species widely used in folk medicine due to its analgesic, healing, anti-inflammatory and antimicrobial properties. Vegetative reproduction technique known as cutting offers faster and efficient propagation of plant species. We collected A. brasiliana cuttings from herbaceous branches in March (Autumn) 2019. The cuttings were prepared with 15 cm in length and then divided into the following experimental groups: leafless cuttings; and cuttings with one and two pair of leaves cut in half. We bundled the cuttings into batches of 40 units, distributed along four replications, for each experimental group. Cuttings were then planted into tubes containing a mixture of commercial organic substrate and vermiculite (1:1), remaining in a greenhouse with semi-automated irrigation at dawn and dusk. Evaluations were performed at the end of 47 days, observing the following variables: percentage of rooted cuttings; cuttings with calluses; live and dead cuttings; presence and number of sprouts; and length and average roots number. We conclude that both parameters (presence and number of leaves) do not influence the rooting of A. brasiliana cuttings. This is explained by the high endogenous production of rooting hormones, such as auxin. Thereby, as the previously published literature, we showed that A. brasiliana could be considered a species of easy rooting.

Keywords: Cutting. Vegetative propagation. Brazilian joyweed. Medicinal plant.

 

Presencia de hojas en el enraizamiento de esquejes de Alternanthera brasiliana (L.) Kuntze

Resumen

El objetivo de este trabajo fue evaluar la relación entre la presencia de hojas y el enraizamiento de esquejes de Alternanthera brasiliana. A. brasiliana es una especie herbácea nativa muy utilizada en la medicina popular por sus propiedades analgésicas, cicatrizantes, antiinflamatorias y antimicrobianas. La técnica de reproducción vegetativa conocida como estaquillado ofrece una propagación más rápida y eficiente de las especies vegetales. Los esquejes de A. brasiliana se recolectaron de ramas herbáceas en marzo (otoño) de 2019. Se prepararon esquejes de 15 cm de largo y se dividieron en los siguientes grupos experimentales: esquejes sin hojas; esquejes con uno y dos pares de hojas cortadas por la mitad. Se distribuyeron 40 esquejes, en cuatro repeticiones, a cada grupo experimental. Los esquejes se plantaron en tubos que contenían una mezcla de sustrato orgánico comercial y vermiculita (1:1), permaneciendo en una casa de cultivo con riego semiautomático al amanecer y al anochecer. Las evaluaciones se realizaron al cabo de 47 días, observándose las siguientes variables: porcentaje de esquejes arraigados; esquejes con callosidades; esquejes vivos y muertos, presencia y número de brotes, longitud y número medio de raíces. Se pudo concluir que ambos parámetros (presencia y número de hojas) no influyen en el enraizamiento de esquejes de A. brasiliana. Esto se explica por la alta producción endógena de hormonas de enraizamiento, como la auxina. Así, conforme la literatura publicada, se demostró que A. brasiliana puede considerarse una especie de fácil enraizamiento.

Palabras clave: Estaquillado. Propagación vegetativa. Penicilina. Planta medicinal.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Lucas Trentin Larentis, Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)

http://lattes.cnpq.br/8516661730751642

Sandrieli Gonçalves, Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)

http://lattes.cnpq.br/3814390263060559

Julia Dias da Silva, Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)

http://lattes.cnpq.br/4724378378199970 

Tainá dos Santos, Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)

http://lattes.cnpq.br/2058504404206170

Matheus da Silva, Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)

http://lattes.cnpq.br/0302333854444795

Carla Marins Santos Santana Viana , Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)

http://lattes.cnpq.br/4177412604480536

Jean da Silva Amancio, Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)

http://lattes.cnpq.br/4174392132821410  

Michel Anderson Masiero, Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste)

http://lattes.cnpq.br/5838645836945318

Daniela Macedo de Lima, Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)

http://lattes.cnpq.br/8290411245922793

Referências

ALVARES, C. A. et al. Köppen's climate classification map for Brazil. Meteorologische Zeitschrift, Stuttgart, v. 22, n. 6, p. 711-728, dez. 2013. Disponível em: https://bit.ly/3hXAveK. Acesso em: 23 set. 2020.

APG IV. An update of the Angiosperm Phylogeny Group classification for the orders and families of flowering plants: APG IV. Botanical Journal of the Linnean Society, Londres, v. 181, n. 1, p. 1-20, mar. 2016. Disponível em: https://academic.oup.com/botlinnean/article/181/1/1/2416499. Acesso em: 23 set. 2020.

AZEVEDO, C. P. M. F. et al. Enraizamento de estacas de cana-do-brejo. Bragantia, Campinas, v. 68, n. 4, p. 909-912, 2009. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0006-87052009000400010. Acesso em: 23 set. 2020.

BARUA, C. C. et al. Influence of Alternanthera brasiliana (L.) Kuntze on altered antioxidant enzyme profile during cutaneous wound healing in immunocompromised rats. International Scholarly Research Notices, Londres, v. 2012, p. 1-8, 2012. Disponível em: https://www.hindawi.com/journals/isrn/2012/948792/. Acesso em: 23 set. 2020.

BELNIAKI, A. C. et al. Does the presence of leaves on coleus stem cuttings influence their rooting? Ornamental Horticulture, Viçosa, v. 24, n. 3, p. 206-210, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.14295/oh.v24i3.1204. Acesso em: 23 set. 2020.

BIELLA, C. A. et al. Evaluation of immunomodulatory and anti-inflammatory effects and phytochemical screening of Alternanthera tenella Colla (Amaranthaceae) aqueous extracts. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, v. 103, n. 6, p. 569-577, set. 2008. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/mioc/v103n6/10.pdf. Acesso em: 23 set. 2020.

DELAPORTE, R. H. et al. Estudo farmacognóstico das folhas de Alternanthera brasiliana (L.) Kuntze (Amaranthaceae). Acta Farmacéutica Bonaerense, Buenos Aires, v. 21, n. 3, p. 169-174, 2002. Disponível em: http://www.latamjpharm.org/trabajos/21/3/LAJOP_21_3_1_2_NBG71B7P0J.pdf. Acesso em: 23 set. 2020.

EHLERT, P. A. D.; LUZ, J. M. Q.; INNECCO, R. Propagação vegetativa da alfavaca-cravo utilizando diferentes tipos de estacas e substratos. Horticultura Brasileira, Brasília, v. 22, n. 1, p. 10-13, jan./mar. 2004.

FERREIRA, D. F. SISVAR: a computer statistical analysis system. Ciência e Agrotecnologia, Lavras, v. 35, n. 6, p. 1039-1042, 2011. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/cagro/v35n6/a01v35n6.pdf. Acesso em: 23 set. 2020.

FORMAGIO, E. L. P. et al. Evaluation of the pharmacological activity of the Alternanthera brasiliana aqueous extract. Pharmaceutical Biology, Londres, v. 50, n. 11, p. 1442-1447, set. 2012. Disponível em: https://doi.org/10.3109/13880209.2012.688058. Acesso em: 23 set. 2020.

HARTMANN, H. T. et al. Hartmann & Kester's plant propagation: principles and practices. 8. ed. Harlow: Pearson Education Limited, 2014.

KANNAN, M.; CHANDRAN, R. P.; MANJU, S. Preliminary Phytochemical and Antibacterial Studies on Leaf Extracts of Alternanthera brasiliana (L.) Kuntze. International Journal of Pharmacy and Pharmaceutical Sciences, Bhopal, v. 6, n. 7, p. 626-628, 2014.

KERBAUY, G. B. Fisiologia Vegetal. 2. ed. reimpr. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.

LIMA, D. M. et al. Influência de estípulas foliáceas e do número de folhas no enraizamento de estacas semilenhosas de maracujazeiro amarelo nativo. Acta Scientiarum. Agronomy, Maringá, v. 29, n. 5, p. 671-676, 2007. Disponível em: https://doi.org/10.4025/actasciagron.v29i5.744. Acesso em: 23 set. 2020.

LONE, A. B. et al. Enraizamento de estacas de azaleia (Rhododendron simsii Planch.) no outono em AIB e diferentes substratos. Ciência Rural, Santa Maria, v. 40, n. 8, p. 1720-1725, ago. 2010. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/cr/v40n8/a682cr2238.pdf. Acesso em: 23 set. 2020.

LUCKMANN, D. et al. Ocorrência de Paraulaca dives (Coleoptera: Chrysomelidae) em Campomanesia xanthocarpa (Myrtaceae), no estado do Paraná, Brasil. Brazilian Journal of Applied Technology for Agricultural Science, Guarapuava, v. 8, n. 2, p. 99-103, 2015. Disponível em: https://revistas.unicentro.br/index.php/repaa/article/download/3628/2911. Acesso em: 23 set. 2020.

MARTINS, W. A. et al. Estaquia e concentração de reguladores vegetais no enraizamento de Campomanesia adamantium. Revista de Ciências Agrárias, Lisboa, v. 38, n. 1, p. 58-64, 2015.

MASIERO, M. A. et al. Uso de substratos na estaquia de astrapéia (Dombeya wallichii L.). Cultura Agronômica, Ilha Solteira, v. 28, n. 3, p. 241-253, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.32929/2446-8355.2019v28n3p241-253. Acesso em: 23 set. 2020.

MENEGAES, J. F. et al. Enraizamento de estacas de forrações ornamentais em diferentes concentrações de ácido indolbutírico. Nativa, Sinop, v. 5, n. 5, p. 311-315, set./out. 2017. Disponível em: https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/nativa/article/view/4468. Acesso em: 23 set. 2020.

MOREIRA, H. J. C.; BRAGANÇA, H. B. N. Manual de Identificação de Espécies: Hortifrúti. São Paulo: FMC Agricultural Products, 2011. 1017 p.

NOGUEIRA, G. S. et al. Influência do número de folhas e da aplicação de IBA na estaquia caulinar de Ficus benjamina L. Agrarian, Dourados, v. 10, n. 36, p. 113-119, 2017. Disponível em: https://ojs.ufgd.edu.br/index.php/agrarian/article/view/3940. Acesso em: 23 set. 2020.

PARAJARA, F. C. Propagação vegetativa e desenvolvimento de mudas de espécies nativas por estaquia de ramos herbáceos. 2015. 71 p. Dissertação (Mestrado em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente) – Instituto de Botânica da Secretaria do Meio Ambiente, São Paulo, 2015. Disponível em: https://bit.ly/360Kvl2. Acesso em: 23 set. 2020.

PEREIRA, D. F. et al. Antimicrobial Activity of a Crude Extract and Fractions from Alternanthera brasiliana (L.) O. Kuntze Leaves. Latin American Journal of Pharmacy, Buenos Aires, v. 26, n. 6, p. 893-896, 2007. Disponível em: http://www.latamjpharm.org/resumenes/26/6/LAJOP_26_6_15.pdf. Acesso em: 23 set. 2020.

PIZZATTO, M. et al. Influência do uso de AIB, época de coleta e tamanho de estaca na propagação vegetativa de hibisco por estaquia. Revista Ceres, Viçosa, v. 58, n. 4, p. 487-492, ago. 2011. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0034-737X2011000400013. Acesso em: 23 set. 2020.

ROCHA, B. N. Propagação e genotoxicidade de Alternanthera brasiliana (L.) Kuntze (Amaranthaceae). 2013. 57 f. Dissertação (Mestrado em Agrobiologia) – Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2013. Disponível em: https://repositorio.ufsm.br/handle/1/4876. Acesso em: 23 set. 2020.

ROCHA, B. N. et al. Influência da posição da estaca no ramo e do tipo de substrato sobre o enraizamento de Alternanthera brasiliana L. (Kuntze). In: SIMPÓSIO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO, 16., 2012, Santa Maria. Anais […]. Santa Maria: Centro Universitário Franciscano, 2012. p.1-7. Disponível em: https://www.ufn.edu.br/eventos/trabalhos/sepe2012/Trabalhos/6241.pdf. Acesso em: 02 out. 2020.

SAMUDRALA, P. K. et al. Evaluation of antitumor activity and antioxidant status of Alternanthera brasiliana against Ehrlich ascites carcinoma in Swiss albino mice. Pharmacognosy Research, Mumbai, v. 7, n. 1, p. 66-73, 2015. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4285651. Acesso em: 23 set. 2020.

SENNA, L. R. Revisão taxonômica das espécies brasileiras de Alternanthera Forssk (Amaranthaceae Juss.). 2015. 353 f. Tese (Doutorado em Botânica) – Universidade Estadual de Feira de Santana, Feira de Santana, 2015. Disponível em: http://tede2.uefs.br:8080/handle/tede/512. Acesso em: 23 set. 2020.

SILVA, E. C. et al. Antimicrobial activity of Alternanthera brasiliana Kuntze (Amaranthaceae): a biomonitored study. Latin American Journal of Pharmacy, Buenos Aires, v. 30, n. 1, p. 147-53, 2011. Disponível em: http://sedici.unlp.edu.ar/handle/10915/8114. Acesso em: 23 set. 2020.

SMITH, L. B.; DOWNS, R. J. Amarantáceas. In: REITZ, P. R. Flora ilustrada catarinense: as plantas. Itajaí: Herbário Barbosa Rodrigues, 1972. 110 p.

TRACZ, V.; CRUZ-SILVA, C. T. A.; LUZ, M. Z. Produção de mudas de penicilina (Alternanthera brasiliana (L.) Kuntze) via estaquia. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, Campinas, v. 16, n. 3, supl. I, p. 644-648, 2014. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/1983-084x/12_098. Acesso em: 23 set. 2020.

VIGNOLO, G. K. et al. Presença de folhas no enraizamento de estacas de amoreira-preta. Ciência Rural, Santa Maria, v. 44, n. 3, p. 467-472, mar. 2014. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S0103-84782014000300013. Acesso em: 23 set. 2020.

XU, Z.; DENG, M. Identification and control of common weeds: volume 2. Hangzhou: Springer, 2017. 832 p. v. 2.

ZOTTELE, L.; AOYAMA, E. M. Morfoanatomia e enraizamento de estacas caulinares de Justicia wasshauseniana Profice (Acanthaceae). Natureza Online, Santa Teresa, v. 12, n. 4, p. 179-184, 2014. Disponível em: http://www.naturezaonline.com.br/natureza/conteudo/pdf/06_Zottele&Aoyama_179-184.pdf. Acesso em: 23 set. 2020.

Publicado
2021-04-26
Como Citar
Larentis, L. T., Gonçalves, S., da Silva, J. D., dos Santos, T., da Silva, M., Viana , C. M. S. S., Amancio, J. da S., Masiero, M. A., & de Lima, D. M. (2021). Presença de folhas no enraizamento de estacas de Alternanthera brasiliana (L.) Kuntze. Revista Eletrônica Científica Da UERGS , 7(1), 123-130. https://doi.org/10.21674/2448-0479.71.123-130
Seção
ARTIGOS INÉDITOS