O conhecimento em rede para os desafios do nosso tempo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21674/2448-0479.121.1-5

Palavras-chave:

desenvolvimento sustentável, desafios, pesquisa, interdiciplinaridade.

Resumo

Vivemos em uma era marcada por desafios de escala global: mudanças climáticas, pandemias, desigualdades sociais, crises energéticas e transformações tecnológicas em escala cada vez mais aceleradas. As mudanças climáticas intensificam secas, enchentes e pressões sobre a qualidade e a disponibilidade da água e de alimentos, ampliando vulnerabilidades sociais e territoriais. A busca por soluções exige a participação das diferentes áreas do conhecimento, sendo necessário avançar em direção a estratégias integradas que combinem governança, ciência, inovação e participação social (Montenegro et al., 2025).

O entrelaçamento entre inteligência artificial (IA), biotecnologia, energias renováveis e agricultura inteligente para o enfrentamento de desafios urgentes — como as mudanças climáticas, a saúde pública e a segurança alimentar — é um exemplo dos avanços no diálogo interdisciplinar, permitindo compreender problemas complexos e elaborar propostas inovadoras, formando uma rede de perspectivas complementares.

Muitas novas contribuições podem resultar da integração das pesquisas em inteligência artificial com as diversas áreas. Além dos desafios tecnológicos, ainda são escassos os estudos sobre ética, regulação e impacto cultural. Desde agosto de 2024, a União Europeia colocou em vigor a legislação sobre Inteligência Artificial (AI Act) (Comissão Europeia, 2024), que regula seu uso e que, entre outras, proíbe práticas como a categorização biométrica baseada em características sensíveis, a coleta indiscriminada de imagens faciais e o reconhecimento de emoções em escolas ou ambientes de trabalho.

O consumo energético crescente e o esgotamento dos recursos hídricos são dois dos principais desafios associados à expansão da IA, especialmente no contexto do uso intensivo de data centers e modelos de aprendizado profundo que demandam grandes quantidades de energia e água. A sustentabilidade da inteligência artificial depende da integração entre inovação tecnológica, padrões globais, políticas públicas eficazes e mudanças nas práticas empresariais, de modo que seu avanço contribua para a preservação ambiental e o enfrentamento das mudanças climáticas (Silva, Eccard, Cavalcante, 2025).

A IA também vem somar esforços na pesquisa por materiais sustentáveis, novos fármacos e energia limpa, a inovação em processos com economia de carbono, criação de materiais biodegradáveis e o desenvolvimento de baterias verdes (Agência Cenário Energia, 2025).

A articulação de tecnologias emergentes, como a agricultura de precisão, drones, sensores, Internet das Coisas (IoT) e aprendizado de máquina permitem monitoramento em tempo real, com potencial para o uso mais eficiente da água e dos insumos, bem como a detecção precoce de pragas e doenças. A integração tecnológica no meio rural deve ser acompanhada por políticas públicas, programas de capacitação e marcos regulatórios éticos (Gamage et al., 2024).

A IA na indústria de alimentos tem se mostrado como uma alternativa frente aos desafios de segurança alimentar, rastreabilidade, detecção de adulteração, embalagens inteligentes, percepção do consumidor e sustentabilidade. Desafios relacionados à interoperabilidade, governança de dados e aceitação social também são apontados, indicando a necessidade de pesquisas interdisciplinares para consolidar sistemas alimentares inteligentes e sustentáveis (Mateus, 2025).

As pesquisas integradas entre biotecnologia e sustentabilidade têm colaborado para a construção de novos modelos produtivos, para a regulamentação da IA e para práticas médicas inovadoras.

Nas Ciências Humanas, há a necessidade de compreender e intervir em um mundo cada vez mais interconectado, digital e em transformação. Temas relevantes, como o Antropoceno, redefinem a relação entre sociedade, política e natureza, envolvendo filosofia, antropologia, sociologia e ética (Grin, 2025). Novas pesquisas em educação, unindo tecnologia, psicologia e pedagogia, mostram-se áreas promissoras do conhecimento, capazes de contribuir na formação de cidadãos críticos, resilientes e adaptáveis a esses novos tempos. O uso da IA na educação e na pesquisa (Tracke, 2024), na cultura e na democracia, questões de políticas públicas, direito mercantil e movimentos sociais contemporâneo, o avanço dos estudos de gênero e a análise das desigualdades são alguns desafios (Congge et al., 2023).

Nesse sentido, o conhecimento torna-se poderoso quando circula entre diferentes ambientes, criando pontes e redes. Nesse movimento, surgem soluções capazes de enfrentar os desafios contemporâneos não como respostas isoladas, mas como construções coletivas e integradas, mais aptas ao desenvolvimento sustentável. A Revista Eletrônica Científica da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul, com sua política de acesso aberto e sem custos de publicação para os autores, soma-se ao enfrentamento das demandas de nosso tempo.

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Biografia do Autor

Irene Teresinha Santos Garcia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Sou Professora Titular do Departamento de Físico-Química da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Sou graduada em Química Industrial, com Mestrado em Química e Doutorado em Ciência dos Materiais (2001), todos obtidos pela UFRGS. Atuei como docente no Centro Universitário La Salle (19992002) e na Universidade Federal de Pelotas (20022010), estando vinculada à UFRGS desde 2010. Realizei estágio pós-doutoral com bolsa do Hanse-Wissenschaftskolleg (Hanse Institute for Advanced Study), no Center of Interface Science/Carl von Ossietzky Universität, Alemanha, onde desenvolvi estruturas dopadas baseadas em sistemas Cu/W e estudei reações fotocatalíticas.Atuo nas áreas de Materiais e Físico-Química de Interfaces. Participei da criação e consolidação do Programa de Pós-Graduação em Química da UFPEL e do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia de Materiais da mesma instituição. Integrei a Comissão Própria de Avaliação da UFRGS (20232024). No período de 2023 a 2025, exerci a chefia do Departamento de Físico-Química da UFRGS. Atualmente, sou professora colaboradora nos Programas de Pós-Graduação em Química e em Ciência dos Materiais da UFRGS, onde atuo como docente e orientadora de doutorado. Desde Julho de 2025 atuo como Editora-chefe da Revista Eletrônica Científica da UERGS. Possuo experiência com técnicas de caracterização de superfícies, como análise por feixe de íons e espectroscopia de fotoelétrons, bem como na caracterização de sistemas coloidais por espalhamento de raios X e espectroscopia de fluorescência. Minha pesquisa concentra-se no estudo do processo de estruturação de materiais em meio aquoso e na caracterização interfacial em processos fotocatalíticos com base em óxidos de metais de transição. Desenvolvi um projeto de inclusão social voltado à divulgação da Química na cidade de Alvorada, financiado pelo fundo de diversidade da Royal Society of Chemistry, Reino Unido. Mais informações sobre meu trabalho podem ser encontradas em: https://www.ufrgs.br/fisico-quimica-de-materiais/).

Referências

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Publicado

2026-04-22

Como Citar

Garcia, I. T. S., Magalhães Bitencourt, B., de Castro, B., & Semensato, S. (2026). O conhecimento em rede para os desafios do nosso tempo. Revista Eletrônica Científica Da UERGS , 12(1), 1–5. https://doi.org/10.21674/2448-0479.121.1-5

Edição

Seção

EDITORIAL